quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Triplo Logos Solar

Há uma sabedoria antiga que diz que o Sol representa, no nosso Sistema Solar, o próprio Deus, por ser a origem e o centro de tudo.


Ele teria três virtudes fundamentais: a Vontade, o Amor e a Inteligência.

Platão, séculos depois, também chegou a três virtudes do seu Mundo das Idéias: O Bom, o Belo e o Justo.

Independente de quais virtudes sejam, um relacionamento só existe com essas bases. E Shakespeare sabia disso.

Soneto CV

Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência,
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Furacões e Buracos Negros

Certa vez, uma Galáxia me disse que há certos momentos na nossa vida que são verdadeiros pontos de mudança. Porém as mudanças são tão grandes que mais parecem um furacão.

São situações em que nossa rotina é alterada. Temos de tomar novas decisões, fazer novas avaliações, mudando todo o nosso cotidiano que estava tranquilamente estabilizado.

Eu pensei um pouco, e concluí que, na verdade, isso não é um furacão, mas um buraco negro.
Àqueles que não sabem, buracos negros são pontos no universo que tragam toda a matéria circundante, um verdadeiro cemitério intergalático. Tudo o que não é mais vivo e necessário é capturado e modificado em outros elementos úteis ao todo.

Acredito que esses pontos de mudança são isso: ocasiões em que tantas coisas novas aparecem que temos de repensar toda a nossa vida, para jogar fora aquilo que não é mais vivo e necessário. É uma limpeza não só a nível físico, mas também nas emoções e na mente.

Ante isso tudo, concluo que os momentos furacões/buracos negros são uma dádiva. É a própria vida que nos mostra que temos de nos movimentar, temos de deixar para trás aquilo que não utilizamos e, acima de tudo, batalhar para conseguirmos ser melhores e mais capazes.

Para que isso aconteça sem que joguemos fora o que também é útil, precisamos ter centro.
E você, Pequena Galáxia, tem dois. Lembre-se sempre disso :-)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Unidade

Este blog foi criado com o propósito de contar a história de galáxias que entram no campo gravitacional uma da outra e acabarão por se tornar uma. Não havia a pretensão de contar essa história de maneira linear e tampouco havia a intenção de contar detalhes da intimidade desses seres extraordinários.

Mas existe um detalhe importante e que é chegado o momento de falar a respeito. Tudo na natureza busca a unidade. É algo natural e que os seres humanos tem a oportunidade de fazê-lo de forma consciente. Para dar um exemplo mais concreto do que entendemos por unidade, podemos pensar no corpo humano: células de naturezas distintas formam órgãos, que se organizam em sistemas, que harmonizados conformam uma unidade que é um homem ou uma mulher.

As galáxias também podem ser entendidas assim. Bilhões de estrelas se harmonizam, criando uma unidade... uma galáxia.

É preciso considerar outro aspecto de fundamental importância: Tudo na natureza tem seu tempo, está marcado no tempo e no espaço. Nós somos assim. Quando nos propomos a algo, definimos um prazo, uma data limite. Quando marcamos um encontro, precisa ficar claro onde e quando.

As Pequenas Galáxias se tornarão uma, no que diz respeito à Lei dos homens, no dia 29 de maio de 2010.

E esse é o começo de mais uma etapa na nossa viagem...

Red Hot Chili Peppers – Road Trippin'

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Realidade

Eu nunca havia sonhado com uma serpente, uma estrela, uma galáxia...
Eu não achei que essas coisas fossem reais... Pensei que só existissem em sonhos dos que têm a cabeça nas nuvens.

Mas, como não é difícil pagar a língua, uma explosão fez surgir um novo ciclo, um novo Manvântara, e eu reconheci minha serpente, minha estrela, minha galáxia no meio de uma série de expectativas.

Desde então eu trabalho, incessantemente, para que essas marcas fiquem gravadas em mim, em minha Alma, de uma maneira indelével. Eu preciso fazer o possível para não me esquecer, para não deixar esse Amor se ir e se desfazer nas ruas enegrecidas pela ignorância humana.

A cada manhã, a cada raio de sol que ultrapassa a branca cortina do quarto, eu abro os olhos e lembro "minha vida vale a pena". Ela vale a pena porque é real e é perfeita. Tenho uma trilha pela qual caminhar, um objetivo a atingir e uma Galáxia com uma órbita concêntrica à minha, que dança no mesmo ritmo e é aquecida pelo mesmo Sol.

Depois de isso tudo, eu descobri que a realidade é um sonho e que os sonhos são realidade. Tudo isso a partir de um lampejo, de uma faísca de fogo que saiu do coração de uma pequena serpente.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Sonho

Um dia sonhei com uma flor. Não... Desculpem, não era uma flor... Era uma libélula. Na verdade estava no céu, mas não era uma libélula e nem um pássaro. Ah! Lembrei! Era uma estrela! Mas eu não me lembro direito como ela era.

A música diz que "quem contar um sonho que sonhou / não conta tudo que encontrou / contar um sonho é proibido". Mas não é que seja proibido. É que os muitos véus que se colocam entre o sonho e a nossa consciência nos impedem de lembrar exatamente o que sonhamos. Não é uma proibição, a não ser que os véus sejam colocados de propósito... Será que nós mesmos os colocamos?

Em toda a minha vida a estrela do meu sonho esteve comigo. Mesmo sem eu saber como ela era. E por não reconhecê-la, cheguei a buscá-la em outras estrelas. Imaginem uma busca por algo que não sabemos o que é e nem onde encontrar...

Faz pouco tempo (pouco mesmo, estamos falando de estrelas, lembram?) minha estrela sorriu para mim. Me iluminou, me aqueceu, me despertou. Me fez sorrir também, porque naquele momento a reconheci. Minha estrela é o Sol. E o seu sorriso é um raiozinho, daqueles que a gente fica se encolhendo embaixo nas tardes frias de inverno. Que faz tudo valer a pena.

Depois que o Solzinho iluminou minha vida, eu passei a ver coisas que eu não via (porque estavam no escuro, afinal). E comecei a me expandir, a crescer. Na verdade, começamos a crescer juntos, porque descobrimos que nossa natureza era una.

Estrelas tem limites físicos para expandir. E não se juntam com outra estrela, formando uma única... não até onde sei, ainda que saiba muito pouco sobre as coisas. Era um outro mistério que eu estava/estou vivendo com a minha estrela.

Quando vi a foto de duas galáxias dançando, se unindo, descobri afinal o que somos. Pequenas Galáxias. Que dançam, se olham, sonham uma com a outra. Se encontram, crescem juntas, respiram, se expandem e se tornam uma. E caminham em uma mesma direção, guiadas por um Ideal.

Agora eu sei que eu sonhava com o Amor. E o reconheci em um raio de sol que já havia me aquecido outrora.

Eu ainda sonho com a minha estrela / raio de sol / galáxia / Amor. Mas eu sempre lembro do sonho, porque o vivo todos os dias.

PS: Essa postagem não tem música, nem foto. Deixo para cada um ver a imagem que aparece nos seus sonhos e ouvir a música que toca quando sonham.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Tenho Tanto Sentimento


Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Mundo Grande

Não, meu coração não é maior que o mundo.

É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Estrelas


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Olavo Bilac

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ritmo

O ritmo, na música, é aquilo que marca o andamento da melodia, pode ser rápido ou lento, variável ou constante.

Na Filosofia, o ritmo é o andamento que marca nossas ações e que permite estarmos felizes, com compreensão e boa vontade.

Se algo não está bem, se não conseguimos cumprir nossas tarefas, se temos a impressão de que o tempo passa por nós sem podermos ter controle sobre ele, estamos sem ritmo.

Ritmo é centro, é consciência, é poder, é disciplina, é ordem.

Não conseguimos obter vitórias, sem constância e persistência. Não conseguimos alcançar nossos objetivos se a meta não está clara e não há felicidade. O Ritmo nos auxilia nisso, mesmo que se pareça com um baião ;-)